Trata-se de um aumento acentuado em relação aos 65% registados em 2025, o que coloca Portugal à frente de Espanha, França e Alemanha entre os países incluídos no estudo.

O estudo, realizado pela OpinionWay para a empresa de software empresarial Cegid, inquiriu 2 006 trabalhadores de escritório nos quatro países, incluindo 502 em Portugal, entre 22 de maio e 4 de junho.

E os trabalhadores não se limitam a pedir à IA para organizar um e-mail ou resumir um documento.

Em Portugal, 44% afirmam que utilizam frequentemente ou de forma sistemática a IA ao tomar decisões importantes relacionadas com o trabalho. Entre os trabalhadores com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos, esse valor sobe para 57%.

Talvez surpreendentemente, o setor público registou o valor mais elevado de todos os setores estudados, com 53% a afirmar que consultam regularmente ferramentas de IA para ajudar nas decisões.

Os trabalhadores estão a avançar mais depressa do que os seus empregadores

Embora a utilização individual tenha disparado, as empresas parecem estar a ter dificuldades em acompanhar o ritmo.

Apenas 41% dos inquiridos portugueses afirmaram que a IA estava total ou parcialmente integrada nas operações diárias da sua organização. Apenas 6% consideraram-na totalmente integrada.

Essa discrepância criou outro problema para os empregadores.

Quase sete em cada dez trabalhadores portugueses, 69%, admitiram utilizar ferramentas externas de IA sem informar a sua organização. No setor público, o valor sobe para 77%.

Isto é importante porque introduzir informações da empresa num serviço externo de IA pode suscitar questões relacionadas com dados confidenciais, privacidade e segurança, especialmente quando as organizações não estabeleceram regras claras sobre quais as ferramentas que os colaboradores podem utilizar e que tipo de informação pode ser partilhada com elas.

Os números sugerem que, em muitos locais de trabalho, os colaboradores não esperaram por uma estratégia oficial de IA. Simplesmente começaram a utilizar a tecnologia por conta própria.

Portugal a abrir-se à IA

As atitudes em relação à tecnologia também estão a mudar rapidamente.

Cerca de 76 % dos trabalhadores portugueses descrevem agora de forma positiva os seus sentimentos em relação à utilização da IA no trabalho, em comparação com 59 % no ano passado. Entre os jovens dos 18 aos 29 anos, esse valor atinge os 86 %.

A preocupação, por sua vez, diminuiu de 28 % para 23 %, enquanto a curiosidade continua a ser a reação mais frequentemente referida em relação à tecnologia.

Paulo Carvalho, diretor-geral da Cegid para Portugal e África, afirmou que o desafio para as empresas é agora colmatar a lacuna entre a utilização individual da IA pelos colaboradores e a sua integração formal nas organizações.

Os números sugerem, sem dúvida, que a IA já fez a sua entrada nos locais de trabalho portugueses, quer os empregadores estivessem ou não totalmente preparados para isso.