Essa meta só será alcançável com “estabilidade legislativa, industrialização e procedimentos de licenciamento verdadeiramente rápidos”, declarou a associação em um comunicado à imprensa.
Em uma audiência perante o Comitê de Infraestrutura, Mobilidade e Habitação sobre reformas de aluguel e investimento habitacional, realizada a pedido do Chega, os líderes da APPII anunciaram que Portugal enfrenta um déficit estrutural de cerca de 300.000 casas, acumulado na última década.
Do ponto de vista da associação, o desequilíbrio entre oferta e demanda se reflete no alto preço das casas, que aumentou 78% entre 2012 e 2021, mais 9% em 2024 e outros 16,3% em 2025.
“Em Lisboa, mais da metade das casas atualmente à venda estão acima de €500.000”, disse a APPII em um comunicado.
Citando dados de 2024, os desenvolvedores acrescentaram que 155.000 casas foram vendidas em Portugal, apesar de apenas cerca de 35.000 novas casas terem sido licenciadas, um volume menos da metade do registrado há duas décadas.
“Cada ano de atraso em um processo de licenciamento pode representar um aumento de cerca de €500 por metro quadrado no custo final da moradia”, o que significa que uma casa de 75 metros quadrados pode se tornar €37.500 mais cara no espaço de doze meses, indica a associação.
Medidas do Governo A
APPII acolheu o Governo e os partidos que, em 20 de fevereiro, aprovaram duas propostas com autorizações legislativas, uma com medidas de alívio fiscal para incentivar a oferta habitacional e outra com mudanças no licenciamento, urbanização
e reabilitação urbana.As propostas foram aprovadas com os votos favoráveis do PSD, CDS-PP e IL. A proposta com medidas fiscais recebeu abstenções do Chega, PAN e JPP, e a proposta de licenciamento recebeu abstenções do
Chega, PS e JPP.Para a liderança da APPII, as duas propostas “introduziram mudanças relevantes, há muito solicitadas pelo setor, que agora precisam ser trabalhadas para ter uma viabilidade efetiva”.
No entanto, a associação alertou que “novas medidas administrativas ou o enfraquecimento de mecanismos como a aprovação tácita podem aumentar a incerteza e desencorajar o investimento”.
Dentro do modelo de 'construir para alugar', a APPII argumentou que “critérios objetivos, estabilidade contratual e livre transferibilidade de investimentos” são essenciais para investidores institucionais.
“A discussão sobre moradia tem que começar com o licenciamento. Sem previsibilidade, sem segurança jurídica e sem uma redução efetiva da burocracia, continuaremos tendo projetos paralisados por anos e casas que não chegam ao mercado”, disse Hugo Santos Ferreira, presidente da
APPII.A APPII representa as principais empresas nacionais e estrangeiras de desenvolvimento e investimento imobiliário que operam em Portugal.









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