De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) compilados pela Portugal Fresh, a Associação para a Promoção de Frutas, Legumes e Flores Portuguesas, as vendas para o mercado externo totalizaram €1,226 bilhão no primeiro semestre do ano, enquanto o volume de exportação atingiu 747.000 toneladas.

Por outro lado, as importações aumentaram 4,2% em valor e 2,8% em volume, acrescentou a associação em um comunicado.

Como resultado, o déficit comercial do setor de frutas, vegetais e flores aumentou para mais de €300 milhões, ante €197 milhões registrados no mesmo período do ano anterior e quase o dobro do déficit observado no ano anterior (€178 milhões).

“A razão para esse declínio está nas graves perdas causadas pela sucessão de tempestades que assolaram o país (Ingrid, Joseph e Kristin), resultando em colheitas destruídas, estufas danificadas e sistemas de irrigação inutilizáveis”, afirmou a Portugal Fresh.

A associação já havia alertado sobre as consequências previsíveis dessa série de tempestades, que “levaram a uma menor disponibilidade de produtos para os mercados internacionais e, consequentemente, a uma queda nas exportações que é evidente neste primeiro semestre do ano”.

Citado no comunicado, o presidente da Portugal Fresh confirmou que “os números do primeiro semestre eram esperados” e destacou as “pesadas perdas para os produtores, dada a ajuda mínima fornecida pela União Europeia e pelo governo”.

Embora também veja a piora da balança comercial como “preocupante”, Gonçalo Santos Andrade acredita que até o final do ano, será possível atingir a marca de exportação de 2,6 bilhões de euros alcançada em 2025. A

Portugal Fresh destaca este ano como “muito desafiador” para produtores e exportadores do setor agroalimentar nacional, lamentando a “falta de apoio” à indústria, especialmente quando comparada à sua principal concorrente, a Espanha, que “recebeu subsídios para fertilizantes e diesel agrícola para compensar o impacto do conflito no Oriente Médio”.

“Nosso principal destino de exportação é a Espanha; dos 1,2 bilhão de euros exportados no primeiro semestre do ano, representa 37% do total (446 milhões de euros)”, observa a associação. Por outro lado, a Espanha também é o principal fornecedor de frutas, vegetais e flores do mercado doméstico, com compras totalizando €870 milhões, representando 57% das importações.

“Ao todo, a balança comercial com nosso principal cliente internacional mostra um déficit de mais de €400 milhões”, ressalta a associação, sustentando que “embora competir no cenário global já seja um desafio, fazê-lo no mercado ibérico está se tornando praticamente impossível”. A

este respeito, Gonçalo Santos Andrade enfatiza que os produtores portugueses competem “usando ferramentas financeiras muito diferentes dos produtores espanhóis”, ao mesmo tempo em que enfrentam um aumento acentuado dos custos devido ao conflito no Oriente Médio: “A disparidade no apoio ao setor é grande”, conclui.

Apesar da queda no primeiro semestre, a Portugal Fresh vê o restante do ano “com confiança”, convencida de que a produção nacional “está bem posicionada para recuperar seu ímpeto habitual”.

“As exportações têm espaço para se recuperar até o final do ano, impulsionadas pela qualidade reconhecida dos produtos portugueses e pela demanda sustentada nos principais mercados de destino: Espanha, França, Holanda, Alemanha e Reino Unido”, sustenta a associação. Fundada em dezembro de 2010, a


Portugal Fresh tem 112 membros representando aproximadamente 5.000 agricultores, com a missão de “destacar a origem de 'Portugal' e as características dos produtos nacionais, além de promover frutas, vegetais e flores nos mercados nacional e internacional”.