O que é o burnout?

"O burnout é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomas, e a OMS (Organização Mundial de Saúde) define-o como um fenómeno profissional", afirma a Dra. Elisabetta Burchi, psiquiatra e chefe de investigação da Parasym. "Se pensarmos em burnout no local de trabalho, pensamos em alguém que se sente emocionalmente esgotado, desligado das suas próprias tarefas e com uma perceção de eficácia reduzida no local de trabalho."

Ela explica que, em termos de sintomatologia, se assemelha ao que é descrito como uma "condição de stress crónico".

"Quando recebemos um pedido do nosso chefe, podemos ter uma resposta fisiológica de luta ou fuga, que é a resposta aguda ao stress que ajuda a tornar-nos mais capazes de nos adaptarmos ao ambiente", diz Burchi. "No entanto, quando isto se repete vezes sem conta, o que acontece é que deixa de ser uma resposta eficaz e útil e passa a ser algo que prejudica a nossa saúde e outras áreas da vida."

O Dr. Matt Rowett, neuropsiquiatra e diretor médico regional de neuropsiquiatria no norte da Cygnet, concorda e acrescenta: "Níveis cronicamente elevados de cortisol podem enfraquecer o sistema imunitário e tornar as pessoas mais propensas a infecções, gripes e constipações. Na pior das hipóteses, o stress crónico pode também aumentar o risco de doenças cardiovasculares e ataques cardíacos".

Aqui estão cinco maneiras principais pelas quais o esgotamento pode afetar o cérebro...

Créditos: PA;

1. Impacta a função cognitiva

"Quando estamos sobrecarregados de stress, os nossos pensamentos podem parecer lentos e podemos ter sido capazes de fazer malabarismos com algumas coisas, mas agora não conseguimos. Por exemplo, os prazos e a qualidade do trabalho podem começar a diminuir", diz Rowett.

Burchi concorda e acrescenta: "O esgotamento pode afetar a nossa função cognitiva, tornando-nos menos capazes de nos concentrarmos ou de tomar decisões. O conceito de "nevoeiro cerebral" pode resumir em termos gerais o que se pode esperar.

"Além disso, há também um aspeto de distanciamento, em que nos sentimos menos presentes."

2. Impacto na memória

"O stress crónico pode afetar a nossa memória episódica autobiográfica, que é a capacidade de recordar acontecimentos da nossa própria vida", sublinha Rowett.

"Por exemplo, pode ainda ser capaz de se lembrar de factos e números, mas não se consegue lembrar do que fez no seu aniversário no ano passado, porque o esgotamento afecta o hipocampo medial, que desempenha um papel importante na nossa memória."

3. Impacta a regulação emocional

"O stress crónico e o cortisol elevado afectam os lobos frontais, que são parcialmente responsáveis pela nossa regulação emocional, motivação e motivação", explica Rowett.

"Por exemplo, uma pessoa que anteriormente era muito calma pode tornar-se incarateristicamente irritável, mais emotiva e pode zangar-se com o seu colega ou parceiro."

4. Impacto na saúde mental

"O esgotamento pode ter consequências catastróficas para a saúde mental porque, se não for reconhecido pelo indivíduo e pelas pessoas que o rodeiam, pode entrar num ciclo vicioso de perceção de que está a falhar nas coisas que são importantes para si e pode começar a ficar deprimido", diz Rowett.

"Alguém pode começar a ter pensamentos muito negativos sobre si próprio e entrar num ciclo de procura de provas que confirmem todas as coisas que o preocupam."

Rowett salienta o facto de muitos dos sintomas da depressão se sobreporem ao esgotamento.

"Perde-se o prazer, não se consegue dormir tão bem, perde-se o apetite, torna-se mais irritável e isso pode ter um impacto negativo nas relações", diz Rowett. "Se isto não for reconhecido e não se intervier com tratamento, em alguns casos extremos as pessoas podem começar a ter pensamentos suicidas".

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5. Impacta o sono

O cérebro necessita de um sono reparador para recuperar da exaustão emocional e cognitiva, mas o esgotamento cria um ciclo negativo em que a exaustão perturba o sono, o que, por sua vez, aprofunda o esgotamento.

"O sono é essencial para o processamento das nossas memórias e experiências, é quando o nosso corpo se repara a si próprio, mas o stress pode afetar a capacidade das pessoas para dormir", diz Rowett.

"Se não descansarmos e não dormirmos, estaremos muito mal preparados para lidar com os factores de stress que enfrentamos. Por isso, podemos acabar por entrar neste ciclo de reforço em que estamos a ter dificuldades em dormir, o que nos deixa cansados e afecta a nossa concentração, o que significa que não estamos a ter um desempenho tão bom como estávamos habituados. Isto pode torná-lo ainda mais stressado, o que pode levar a um sono ainda mais de má qualidade."

Eis algumas estratégias de especialistas para ultrapassar o esgotamento e sair deste ciclo vicioso...

Estar consciente

"Estar consciente do esgotamento é um bom primeiro passo, porque muitas vezes as pessoas têm todos estes sintomas mas não reconhecem que têm esta síndrome e que precisam de ajuda", diz Burchi. "Quanto mais cedo for proactivo e agir, melhor será a sua recuperação."

Inclua o autocuidado na sua rotina

"O autocuidado não é um luxo, é uma necessidade", diz Rowett. "É preciso lutar por ele porque os empregadores querem que esteja lá para fazer um trabalho e, por isso, não pensam necessariamente no seu bem-estar.

"O autocuidado tem um aspeto diferente para cada indivíduo e não tem de ser uma coisa grande e dramática como um fim de semana num spa. Podem ser apenas pequenas coisas do dia a dia que fazem parte da sua rotina, como ler um livro ou ir correr."

Dar prioridade ao sono

"Parte do autocuidado também deve ser garantir que tem uma boa rotina de sono", recomenda Rowett. "Faça algo relaxante, como tomar um banho, para que o seu corpo esteja preparado para dormir."

Faça uma atividade consciente

"Fazer uma atividade consciente que consuma o seu pensamento e o ajude a escapar um pouco à realidade pode ser útil", diz Rowett. "Pode ser meditação, ioga, ver um filme, ouvir música ou fazer trabalhos manuais."

Considere o aconselhamento

"O aconselhamento proporciona um espaço para poder refletir sobre as coisas com uma pessoa segura", diz Rowett. "Talvez não possa dizer ao seu patrão ou parceiro que está a passar por dificuldades, mas pode dizer o que quiser ao seu conselheiro.

"Se estivermos a ter pensamentos muito negativos e distorcidos, em vez de os guardarmos na nossa cabeça, podemos abrir-nos com um conselheiro que nos possa dar uma visão mais exacta ou apresentar teorias a considerar."