O estudo, realizado pela insurtech portuguesa Mudey, revelou que muitas pessoas acreditam compreender bem o seguro de habitação, mas têm dificuldade em responder a perguntas básicas sobre as suas próprias apólices. Os resultados sugerem que, embora o seguro de habitação seja um produto comum, muitos consumidores continuam a não ter a certeza do seu objetivo, cobertura e valor.

Os resultados sugerem que muitos portugueses podem estar a sobrestimar a sua compreensão do seguro de habitação. Embora quase 40% dos inquiridos tenham declarado um elevado nível de conhecimento, quando lhes foram colocadas questões práticas sobre a cobertura do seguro e os requisitos legais, a maioria teve dificuldade em responder corretamente.

A falta de conhecimento torna-se ainda mais evidente quando os proprietários são questionados sobre a sua própria proteção. Um número considerável admitiu não saber se a sua apólice cobria riscos como terramotos, tempestades ou outros fenómenos naturais.

O inquérito também revelou sentimentos contraditórios em relação ao seguro de habitação em geral. Embora a maioria dos inquiridos tenha manifestado uma satisfação razoável, cerca de 40% afirmaram estar insatisfeitos com a sua apólice.

O preço parece desempenhar um papel importante na formação das opiniões. Pouco mais de metade dos participantes considera que o montante que paga pelo seguro é justo, enquanto mais de um quarto considera que é demasiado caro. Surpreendentemente, um quinto dos inquiridos disse que nem sequer sabia quanto estava a pagar.

Outro fator que influencia a satisfação é a razão pela qual as pessoas adquiriram o seguro. Os proprietários que optaram ativamente por um seguro para proteger o seu património manifestaram maior satisfação do que aqueles que o adquiriram por exigência de um banco ou da lei.

Este facto é particularmente relevante em Portugal, onde o seguro de habitação está frequentemente associado a contratos de hipoteca. Entre os proprietários com uma hipoteca ativa, a maioria afirmou ter subscrito um seguro porque o banco o exigiu. No entanto, quando a hipoteca é paga, muitos optam por cancelar a apólice.

De acordo com Mudey, isto sugere que muitos consumidores vêem inicialmente o seguro de habitação como uma obrigação e não como uma forma de proteção. No entanto, com o passar do tempo, alguns começam a reconhecer o seu valor e continuam a ter a cobertura mesmo depois de o requisito original ter desaparecido.

A empresa defende que a melhoria da compreensão dos consumidores deve ser uma prioridade para o sector dos seguros. Um melhor acesso à informação e explicações mais claras sobre a cobertura poderiam ajudar as pessoas a tomar decisões mais informadas e a apreciar a proteção que estão a pagar.

Em última análise, o inquérito aponta para uma conclusão simples: os proprietários de casas que compreendem melhor o seu seguro têm mais probabilidades de ver o seu valor e de se sentirem satisfeitos com o produto.