Essa lógica ajudou Portugal a afirmar-se como um dos destinos mais procurados da Europa e continua a ser um motivo de orgulho para o país. Mas a realidade está a mudar. Hoje, o verdadeiro desafio já não é apenas atrair mais visitantes. É criar mais valor económico, social e sustentável a partir de cada visita.
A recente análise da Stratesys deixa uma mensagem muito clara. Apesar de Portugal continuar a registar números históricos no turismo, a despesa média por visitante diminuiu. Isto significa que crescer em volume já não garante, por si só, maior competitividade. A próxima fase do turismo português será determinada pela capacidade de utilizar dados e inteligência artificial para conhecer melhor os mercados, antecipar comportamentos, otimizar preços, reduzir a sazonalidade e melhorar a experiência dos visitantes.
Esta mudança representa muito mais do que uma evolução tecnológica. Representa uma mudança de mentalidade.
Durante anos, a prioridade passou por colocar Portugal no mapa do turismo internacional. Hoje, esse objetivo foi claramente alcançado. O país é reconhecido pela segurança, pelo clima, pela gastronomia, pela qualidade das suas praias, pelo património e pela hospitalidade. O desafio agora é diferente: gerir este sucesso de forma mais inteligente.
A inteligência artificial pode desempenhar aqui um papel decisivo. Não para substituir as pessoas ou transformar o turismo numa atividade impessoal, mas para ajudar empresas e destinos a tomar melhores decisões. Um hotel que consegue antecipar a procura ajusta melhor os seus preços e recursos. Uma companhia aérea que analisa padrões de mobilidade melhora a sua operação. Um destino turístico que compreende os fluxos de visitantes consegue distribuir melhor a procura ao longo do ano e reduzir a pressão sobre os locais mais procurados. É precisamente esta capacidade de transformar informação em decisões concretas que a Stratesys identifica como a próxima grande vantagem competitiva do setor.
Portugal reúne todas as condições para liderar esta transformação. Temos um setor turístico maduro, empresas cada vez mais inovadoras e uma crescente aposta na digitalização. Mas será necessário ir mais longe. Não basta adotar novas ferramentas tecnológicas. Será fundamental desenvolver competências, integrar informação proveniente de diferentes fontes e criar uma verdadeira cultura de decisão baseada em dados, onde a tecnologia esteja ao serviço da estratégia e não apenas da operação.
Talvez seja esta a maior evolução do turismo português na próxima década.
Continuaremos a ser escolhidos pela beleza do país, pela autenticidade das experiências e pela qualidade de vida que oferecemos. Mas os destinos que mais crescerão serão aqueles que conseguirem combinar esses atributos com inteligência, inovação e capacidade de antecipação.
Porque o turismo do futuro continuará a depender das pessoas. Mas será cada vez mais decidido pelos dados.
Fonte: Stratesys PR









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