“Esse espaço oferece conforto emocional para as famílias que visitam a Feira de São Mateus. Eles podem nem mesmo usá-lo, mas saber que ele existe traz tranquilidade; eles acabam visitando a feira com mais frequência e não se sentem inibidos nem evitam se socializar”, disse um dos coordenadores do espaço à agência de notícias Lusa.
Sandrina Sousa, junto com seu marido Sérgio Silva, gerencia o espaço *Sírculos*, localizado dentro do Pavilhão Multiuso.
A iniciativa foi implementada após ouvirem, “principalmente dos pais” de clientes que atendem em suas clínicas, “desabafarem que não visitam a Feira de São Mateus devido à sobrecarga sensorial, especificamente luzes, cores e sons, que podem desencadear crises em crianças autistas”, por exemplo.
“No caso de um colapso, esta sala está equipada com elementos que ajudam a acalmar a mente. As pessoas podem ficar o tempo que precisarem e, quando se sentirem melhor, continuarão o dia”, acrescentou Sandrina Sousa.
Este ano, *Sírculos* também está oferecendo um kit sensorial que “pode ser emprestado às famílias enquanto elas visitam a Feira de São Mateus”, uma “espécie de recurso de primeiros socorros para quando elas perceberem que estão perdendo” o controle.
A bolsa contém “vários itens usados para autorregulação, bem como mapas sensoriais e painéis de comunicação aumentativa e alternativa”.
“Este mapa mostra à família, com base nas sensibilidades sensoriais específicas do indivíduo, quais áreas representam o maior risco. Por exemplo, se alguém é particularmente sensível ao som, o mapa ajuda a identificar onde esse estímulo é mais forte, permitindo que se prepare adequadamente”, explicou
Sandrina Sousa. Isso porque o kit sensorial também inclui protetores de ouvido com bloqueio de ruído, um tipo de fone de ouvido que “reduz significativamente os sons e ruídos ao redor” para o usuário.
Ferramentas de comunicação aumentativa e alternativa, também parte do “kit”, representam o projeto piloto deste ano, que a Sirculos pretende expandir para a Feira de São Mateus a partir de 2027.
“Atualmente, temos as placas de comunicação em duas áreas de refeições e nos banheiros do Pavilhão Multiuso, mas seria ideal tê-las em todos os lugares para garantir maior e melhor integração e conforto para as famílias, argumentou Sandrina Sousa.
Desenvolvidos pela equipe de fonoaudiólogos da Sirculos, esses “pequenos cartazes” apresentam o alfabeto e as imagens, “usadas em qualquer país do mundo”, para que um cidadão incapaz de falar ou com dificuldades de fala possa comunicar suas necessidades, especialmente as mais básicas, como pedir comida.
“Se as barracas e os locais exibem esse pequeno cartaz, isso promove a inclusão e facilita a comunicação com qualquer cidadão; isso promove o conforto emocional, essencial para o bem-estar do indivíduo e de sua família”, sustentou.
Enquanto o casal falava à agência de notícias Lusa, uma garota francesa acompanhada pela mãe visitou a sala; eles “haviam aprendido sobre o espaço no ano passado, mas não precisavam dele na época, mas desta vez o utilizaram”.
“Uma jovem adolescente autista que estava em crise veio com a mãe. Quando estavam saindo, a própria menina veio expressar sua gratidão por essa sala existir aqui na feira”, disse Beatriz Fernandes à Lusa.
A fonoaudióloga, que, junto com colegas, está presente no evento, também observou que o espaço atraiu “curiosidade, bem como interesse de educadores e professores que desejam aprender sobre o conceito, levar a ideia de volta às suas escolas e implementá-la” no ambiente escolar.
“O que ouvimos com mais frequência aqui é que as escolas não têm esse tipo de equipamento para ajudar a comunidade escolar em momentos de crise”, relatou Beatriz Fernandes.









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