Em um comunicado, o i3S explica que os cientistas trabalharam com uma amostra populacional que lhes permitiu identificar associações entre bactérias presentes no intestino e na boca e “substâncias produzidas pelo corpo associadas à impulsividade, insensibilidade emocional e comportamento antissocial”.
Os autores observam que o estudo “não demonstra uma relação de causa e efeito”, mas contribui “para a crescente evidência de uma ligação entre microorganismos no intestino e na cavidade oral e a função cerebral, com um impacto potencial nas emoções e no comportamento”.
“Não podemos afirmar que as bactérias causam traços de psicopatia, mas observamos uma relação entre perfis bacterianos orais e intestinais específicos e características comportamentais específicas”, observa Benedita Sampaio-Maia, coordenadora do estudo e pesquisadora do i3S.
Segundo os pesquisadores, o trabalho pode abrir caminho “para a futura identificação de marcadores biológicos associados à saúde mental e o desenvolvimento de novas abordagens de intervenção baseadas em dieta, probióticos ou outras formas de alterar as bactérias do corpo”.
Entre as principais descobertas, a equipe “identificou associações entre traços de psicopatia e certas bactérias intestinais específicas”.
“Os pesquisadores também observaram diferenças nas substâncias encontradas nas amostras de fezes — especificamente glicose (açúcar) e taurina, uma molécula produzida pelo corpo que desempenha um papel em várias funções cerebrais e metabólicas — ambas associadas a níveis mais altos das características mencionadas acima”, relata o i3S.
O instituto observa que “a psicopatia envolve um conjunto de características como impulsividade, manipulação, falta de empatia e comportamento antissocial”.
“Embora suas origens envolvam fatores genéticos e ambientais, os mecanismos biológicos associados a essas características permanecem pouco compreendidos”, ressaltam.
Para este estudo, os pesquisadores recrutaram 200 participantes portugueses e avaliaram “traços psicopáticos, empatia e ansiedade usando escalas de avaliação psicológica”.
Ao mesmo tempo, eles coletaram amostras de fezes, saliva e sangue para estudar as bactérias presentes no corpo e identificar substâncias químicas potencialmente envolvidas na comunicação intestino-cérebro, explica o i3S.
O estudo foi realizado em colaboração com pesquisadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP) e da Universidade de Oxford.









Follow us on social media