Os resultados da companhia aérea nacional foram fortemente afetados por um aumento de 18,7% nos custos de aquisição de combustível, impulsionado pela instabilidade geopolítica no Médio Oriente.

O aumento dos custos do combustível de aviação compensou o crescimento operacional alcançado durante o período, durante o qual a empresa transportou 8,2 milhões de passageiros, realizou 57 500 voos e registou um aumento de 4,3% nas receitas operacionais totais, para 2 039,8 milhões de euros.

No segundo trimestre, a empresa registou um prejuízo líquido de 59,3 milhões de euros, o que contrasta com o lucro de 37,5 milhões de euros obtido no trimestre homólogo do ano anterior. Luís Rodrigues, diretor executivo da empresa, afirmou que o aumento dos preços do combustível teve um impacto imediato nos custos operacionais.

Ao mesmo tempo, os efeitos das medidas de otimização das receitas só se tornaram visíveis gradualmente, uma vez que a maioria dos bilhetes para esse trimestre já tinha sido vendida antes do aumento dos custos energéticos. Mesmo nesta situação difícil, o executivo destacou a resiliência da procura nos principais mercados europeus e sul-americanos, bem como a melhoria da liquidez, que atingiu 1 222,1 milhões de euros no final de junho, após uma emissão de dívida bem-sucedida.

O anúncio dos resultados semestrais ocorre numa fase crucial do processo de privatização da companhia aérea. Espera-se que a Parpública apresente formalmente ao Governo o seu relatório sobre a avaliação das ofertas vinculativas apresentadas pelos grupos Air France-KLM e Lufthansa para a aquisição de uma participação de 44,9 % na empresa; o Governo decidirá então sobre a venda da participação do Estado.

Entretanto, a companhia aérea concluiu a execução do plano de reestruturação aprovado por Bruxelas e começou agora a implementar a sua estratégia para o período de 2026 a 2035, com foco na expansão das suas rotas de longo curso e na prossecução da transformação digital.