Os dados foram divulgados pela consultora de recursos humanos Randstad, que afirma que a maioria dos trabalhadores nestas condições são homens, sendo que 60% trabalham na Grande Lisboa e no Porto.

Num comunicado, Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal, afirma que Portugal está a assistir a «uma clara evolução no aumento dos rendimentos, o que reflete a valorização das funções altamente qualificadas».

Mais especificamente, em 2016, 28 700 trabalhadores auferiam salários superiores a 3 000 € líquidos por mês. Ao longo do segundo trimestre de 2026, 125 000 trabalhadores portugueses receberam mais de 3 000 € por mês, o que demonstra que esta realidade quadruplicou nos últimos 10 anos.

Vale a pena destacar que, no segundo trimestre de 2024, havia 71 000 trabalhadores em Portugal a receber este salário, o que significa que, em dois anos, o número de trabalhadores com salários superiores a 3 000 € duplicou. Em comparação com 2025, isto representa um aumento de 27%.

No entanto, a Randstad alerta que «apesar do crescimento dos salários mais elevados, que agora abrangem 2,7% da população ativa, a estrutura salarial continua predominantemente concentrada nos escalões médios-baixos».

A consultora afirma que os salários entre 900 e 1 200 euros líquidos por mês continuam a ser os mais representativos, abrangendo «34,1% do total de assalariados, o que equivale a 1,56 milhões de pessoas».

Disparidades identificadas

Os dados demonstram também que existem disparidades geográficas e de género, bem como desafios na retenção de jovens talentos nas empresas em Portugal.

Isabel Roseiro salienta ainda que os dados revelam «disparidades geográficas e de género, a par de desafios específicos na retenção de jovens talentos e na reconfiguração de setores-chave, como o da tecnologia».

A Randstad conclui, assim, que, atualmente, entre aqueles que auferem mais de 3 000 € líquidos por mês, 69,2% são homens, em comparação com 30,8% de mulheres. Geograficamente, 65,9% estão localizados na Grande Lisboa.