Ele sugeriu que as operações de aquisição europeias continuam a ter uma vantagem em relação às dos EUA, porque geram mais alfa. Essa afirmação é fácil de ignorar, mas explica por que razão tanto capital institucional continua a fluir para a Europa.
A maioria das pessoas pensa que os retornos dos investimentos provêm da identificação dos mercados que crescem mais rapidamente. Na realidade, existem duas formas de ganhar dinheiro:
A primeira é o beta— simplesmente acompanhar a subida do mercado. Se todas as empresas se tornam mais valiosas porque a economia está a crescer, todos beneficiam.
A segunda é o alfa— criar valor que antes não existia.
O alfa resulta de comprar, operar e vender melhor do que todos os outros.
É aí que a Europa se torna interessante.
Ao contrário dos Estados Unidos, a Europa não é um único mercado. É composta por dezenas de mercados com diferentes línguas, regulamentações, culturas empresariais e estruturas de propriedade. Milhares de empresas de sucesso continuam a ser de propriedade familiar, muitos negócios nunca são amplamente colocados à venda e as relações pessoais têm, muitas vezes, mais importância do que os processos de leilão.
Para investidores experientes, isso cria oportunidades.
Uma excelente empresa adquirida ao preço certo pode gerar retornos significativamente melhores do que uma empresa igualmente boa adquirida após competir contra vinte outros licitantes.
Em muitas partes dos EUA, quase todas as empresas privadas atraentes são amplamente divulgadas, fortemente intermediadas e disputadas por inúmeras sociedades de capital de risco. A concorrência faz subir as avaliações e reduz os retornos futuros.
A Europa apresenta um panorama diferente.
As ineficiências criam espaço para que investidores experientes gerem alfa através da identificação de oportunidades, melhorias operacionais e execução paciente. Como Rob Lucas salientou, essa vantagem continua a existir hoje em dia.
Para mim, este é um dos argumentos de investimento a longo prazo mais sólidos a favor de Portugal.
O setor hoteleiro português continua altamente fragmentado, com muitos hotéis excecionais geridos pelos próprios proprietários, empresas de turismo e plataformas de apartamentos com serviços. Estas empresas são frequentemente ignoradas pelos grandes investidores institucionais, mas beneficiam de um dos mercados turísticos de longo prazo mais sólidos da Europa. A oportunidade não reside simplesmente no facto de o turismo continuar a crescer.
A oportunidade reside em descobrir empresas antes de todos os outros, ajudá-las a operar de forma mais eficiente, melhorar a experiência dos hóspedes, aumentar a rentabilidade e, em última análise, criar valor empresarial que antes não existia.
Essa é a diferença entre investir no crescimento... e criar alfa.
Por vezes, as melhores oportunidades não se encontram nos mercados que crescem mais rapidamente. Encontram-se nos mercados onde a especialização, as relações e a execução ainda são importantes.








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