Há uma piada antiga que diz que acabamos por ficar parecidos com os nossos cães — o mesmo nariz, o mesmo cabelo, o mesmo ar cansado à sexta-feira. Quando amamos alguém durante tempo suficiente, isso deixa de ser uma piada. Mas um novo estudo sugere que a ligação vai mais além do que o espelho: o seu cão pode estar a interpretar a sua expressão facial com muito mais atenção do que pensávamos. Todos os donos suspeitam disso — a forma como um cão sabe quando estamos apenas a fingir estar zangados, suavizando-se assim que sorrimos. A ciência tinha atribuído isso principalmente ao frasco de guloseimas: dizem-nos que os cães interpretam as nossas rotinas, os nossos bolsos e o nosso tom de voz, e que os rostos são uma obsessão humana. Este estudo diz o contrário.
Investigadores da Universidade de Viena treinaram oito cães pacientes para ficarem imóveis num scanner — com protetores auriculares — e observarem fotografias de rostos de estranhos. Um rosto feliz ativou áreas envolvidas na compreensão social e atingiu o sistema de recompensa do cérebro — os circuitos que se ativam perante as coisas que um cão valoriza. Ainda é cedo e o estudo é pequeno: alguns cães muito bem treinados, fotografias de estranhos e — os cientistas são cautelosos — o facto de um cérebro se iluminar não significa que o coração esteja a sentir algo. Mas a direção é encantadora. «Isto sugere que os rostos humanos felizes podem ter um significado emocional para os cães», afirma a investigadora Laura Cuaya.

Por isso, vá lá — sorria para o seu cão, sem motivo, com mais frequência do que a hora do jantar estritamente exige. Não custa nada e não requer treino. Podem até começar a parecer-se — e, se observar com atenção, talvez consiga apanhá-lo a sorrir de volta.
A cadeira estava a definir o teu estado de espírito
«Senta-te direito» teve um século difícil. Era a frase que a tua mãe dizia sobre as tuas costas; depois passou a ser a «postura de poder»; depois isso foi discretamente desmentido, e todos nós nos afundámos no sofá sentindo-nos justificados. Por isso, eis uma ideia mais gentil.
Investigadores da Universidade McGill deixaram de mandar as pessoas assumirem poses — a falha dos estudos antigos — e deixaram que o mobiliário fizesse o trabalho. Disseram a quase 200 voluntários que estavam a testar uma aplicação, colocaram o ecrã mais alto para uns, mais baixo para outros, e filmaram quem se encurvava. Aqueles que foram levados a sentar-se direitos, sem nunca lhes ter sido dito que a postura era o objetivo, saíram a sentir mais orgulho — efeitos pequenos, sublinham os investigadores, mas reais, e sem necessidade de força de vontade.
Isto não é uma ordem para se sentar direito — muito menos se as dores nas costas, na anca ou a artrite tornam o «direito» um pedido doloroso; nesse caso, a escolha da cadeira é da sua conta. É mais suave do que isso: o sofá baixo, o portátil nos joelhos, a cadeira de cozinha que o faz inclinar-se para a frente podem estar silenciosamente a criar um estado de espírito pelo qual tem vindo a culpar-se a si próprio. Se quiser um pouco mais, há duas coisas que pode fazer sem sair do assento. Recue os ombros, aproxime as omoplatas, mantenha a posição durante uma respiração e solte. Depois, sente-se direito e recue ligeiramente o queixo, corrigindo a inclinação causada pelo telemóvel. Nada que cause dor — e se tiver problemas nas costas ou na anca que o deixem inseguro, consulte primeiro o seu médico de família. A solução mais simples continua a ser a própria cadeira. Troque uma cadeira em que se afunda por uma que o mantenha ereto. Sem ginásio, sem força de vontade, e isso pode, discretamente, alegrar a tarde.
Créditos: Pexels; Autor: olia-danilevich;
Laticínios integrais e os cálculos em que nos enganámos
Em algum momento nos últimos trinta anos, a maioria de nós aprendeu a tratar o bom queijo como um pequeno pecado — e trocou o iogurte normal pelo de dieta, com a pessoa magra no rótulo.
Um estudo canadiano de doze semanas sugere que vale a pena rever os cálculos. Investigadores da Universidade de Toronto pediram a 74 adultos que adicionassem três porções diárias de laticínios integrais — leite, iogurte grego, queijo — às suas dietas. Alguns também reduziram as calorias; um grupo não teve qualquer restrição calórica. Vale a pena dizer claramente: o trabalho foi financiado no âmbito de um programa de investigação ligado à indústria de laticínios, embora o artigo afirme que os financiadores não tiveram qualquer papel no estudo — e este tenha sido mais reduzido do que o planeado. O que aconteceu?
Nada de alarmante, e isso é que é notícia. O colesterol não se alterou. A glicemia não se alterou. O peso quase não se alterou, mesmo no grupo que não teve qualquer restrição calórica. Quem consumiu laticínios também aumentou a ingestão de cálcio e proteínas — dois nutrientes que muitas dietas, discretamente, não fornecem em quantidade suficiente. A explicação sugerida pelos investigadores tem um nome encantador — a «matriz dos laticínios»: a gordura dos laticínios vem ligada à proteína e ao cálcio, e um alimento nem sempre se comporta como a soma das suas partes.
Não se provou que os laticínios integrais fossem melhores do que os magros; constatou-se apenas que a sua adição não produziu os efeitos nocivos que muitas pessoas esperariam. Trata-se de um pequeno ensaio, com a duração de três meses, realizado em adultos com excesso de peso ou obesidade — um motivo para curiosidade, não para reescrever as recomendações médicas de ninguém. Se lhe disseram para ter cuidado com a gordura saturada, isto não muda nada. Mas se tem vindo a pedir desculpa ao queijo fresco, ou a tomar o seu café com leite acompanhado de um sentimento de culpa, a ciência sugere que essa transgressão pode nunca ter sido tal. Ninguém lhe está a dizer para comer mais queijo. O que se diz é que os cálculos que todos fazíamos no corredor dos laticínios podem ter estado errados.

Sobre Susan Stone
«Susan Stone é uma contadora de histórias sobre saúde e criadora do It’s A Jungle, que explora as pessoas, a ciência e as ideias que moldam o futuro da saúde — com curiosidade, cordialidade e otimismo. Locutora há mais de 20 anos na RTÉ e no Channel 4, entrevista cientistas e pensadores que estão a redefinir a forma como nos sentimos vivos.»


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